sábado, 31 de agosto de 2019

Partilha da África: 130 anos da Conferência de Berlim

Essa gravura de Hermenn Lüders  demonstra uma sessão da
Conferência de Berlim,o artista representou um africano
 entre folhagens.

Há pouco mais de 130 anos o continente africano passava por uma divisão, a qual, ficou  conhecida como Conferência de Berlim.
O fato ocorreu na Alemanha. no século XIX, com o objetivo de dividir a África em fronteiras, que existem até os dias atuais, sendo algumas das justificativas era colonizar o continente segundo os moldes europeus e beneficiar a expansão imperialista existente naquela época, mesmo havendo resistência por parte dos africanos. 
Porém, é sabido, que a essa divisão aconteceu sem nenhuma consideração à história do povo africano e isso resultou em danos que são vividos ainda pela sociedade atual.
Em 2010 no 125º aniversário da Conferência de Berlim foi discutido a importância da indenização à alguns países africanos, pelos danos deixados pelo colonialismo, o que consideraram crime à humanidade, no entanto, fala-se muito pouco sobre os crimes cometidos pelos europeus na África, e a esperança que haja alguma reparação é quase inexistente. 
https://www.dw.com/pt-002/conferência-de-berlim-partilha-de-áfrica-decidiu-se-há-130-anos/a-18283420?maca=pt-002-Facebook-sharing

domingo, 18 de agosto de 2019

Lançamento do livro " O Urucungo de Cassange" do Prof. Josivaldo Pires de Oliveira

Na foto: Gustavo Felicíssimo (editor)  e mestre Lua Rasta , (leitor)
no  Lançamento do livro na Festa Literária do Pelourinho (FLIPELÔ)

O “O Urucungo de Cassange – Um Ensaio sobre o Arco Musical no Espaço Atlântico (Angola – Brasil)”,  é o mais novo livro escrito pelo Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira, docente de História da África da UNEB/Campus XIII (Itaberaba), trata-se da história do berimbau ou uruncungo, o qual, é reconhecido como o mais importante instrumento musical da capoeira no Brasil, nesse mesmo livro, ele faz uma linha para um melhor entendimento no que se refere a reformulação de uma cultura que perpassa os âmbitos não só cultural, mas também histórico por meio do Brasil e de Angola.  O livro teve o seu primeiro evento de lançamento em Belém do Pará, no último dia 09 de agosto, pela editora Mondrongo, e conta com a ilustração do artista plástico Gabriel Ferreira, o sucesso nas vendas já é notório, desde o dia do lançamento, mais de 100 livros já foram vendidos!  

A agenda de lançamento continua, dia 29 de agosto em Feira de Santana-BA na Roda de Conversa Afro-Papo, dia 05 de setembro Lançamento Oficial da editora e assessoria cultural do autor, no dia 19 de setembro no seminário Africania na escola de música da UFRJ!
Os interessadxs em adquirir o livro “Urucungo de Cassange”, basta acessar o site da editora Mondrongo e garantir o seu! 
https://www.mondrongo.com.br/index2.php?pg=noticia&id=213  

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O Urucungo de Cassange, novo livro do professor Josivaldo Pires de Oliveira


Autor de alguns interessantes títulos sobre história social das populações negras, o professor Dr. Josivaldo Pires de Oliveira, docente de História da África da UNEB/Campus XIII (Itaberaba), lança O Urucungo de Cassange: um ensaio sobre o arco musical no espaço Atlântico (Angola e Brasil). Com selo da Editora Mondrongo, o livro aborda a experiência atlântica do arco musical, que no Brasil ficou conhecido como berimbau ou urucungo. Os lançamentos terão início no próximo dia 09 de agosto, durante a Programação do Encontro do Malungo Centro de Capoeira Angola, em Belém do Pará e seguirá com agenda até novembro deste ano. Em breve, novas datas e locais de lançamentos.

Interessodxs poderão adquirir o livro através do site da Editora Mondrongo: https://www.mondrongo.com.br/index2.php?pg=noticia&id=213  

sábado, 3 de agosto de 2019

Apoio à professora Vanicléia Santos

CARTA ABERTA EM APOIO À PROFESSORA VANICLÉIA SILVA SANTOS

Nos causaram espanto e indignação os ataques dirigidos a Vanicléia Silva Santos, professora de História da África da Universidade Federal de Minas Gerais, organizadora do Simpósio Internacional Novas Epistemes para o Estudo da África Pré-Colonial. Embora considerando legítima a reivindicação  de maior representatividade negra em qualquer evento e, especificamente, a crítica à presença desproporcional de pesquisadores/as branco/as em detrimento de pesquisadores/as negros/as, neste evento, entendemos que a natureza dos ataques dirigidos à organizadora e aos palestrantes, além de injustos, personaliza um debate que deve ser pautado pela compreensão do racismo estrutural presente nas universidades brasileiras e da própria formação do campo de História da África no Brasil, constituído – ainda e infelizmente –  por uma maioria de pesquisadores brancos. Para a África pré-colonial, tema do seminário em questão, a discrepância é ainda mais gritante.  

Em suma, o que se apresentou na composição das mesas do evento promovido pela UFMG é um recorte do campo de História da África no Brasil. Em comparação aos estudos sobre escravidão e pós-abolição, é ainda muito reduzido no Brasil o número de pesquisadores/as negros/as especialistas em África ou de africanistas em formação.

 Diante do exposto, consideramos a crítica à historiadora Vanicléia Santos desmedida, sobretudo diante de sua atuação nos últimos anos na consolidação desse campo de estudos no Brasil. Destacamos sua atuação como professora e orientadora, seu desempenho, durante muitos anos, à frente Centro de Estudos Africanos da UFMG, e seu engajamento em relevantes projetos internacionais, como a organização do volume X da Coleção História Geral da África da UNESCO. Embora nos juntemos ao coro que reivindica maior representatividade negra entre os pesquisadores africanistas, entendemos que o tom assumido pelas críticas em geral tenderam à personalização do debate, o que, não ajuda a compreensão e o combate ao caráter estrutural do racismo presente nas universidades brasileiras, reflexo do que é a sociedade brasileira. 

Sobre o evento propriamente dito, ele foi amplamente divulgado nas redes sociais (no Grupo de Estudos de África Pré-Colonial e no Centro de Estudos Africanos da UFMG), bem como nas listas de e-mails dos grupos de História da África. Após se esgotar a data final para o envio de comunicações, no dia 10 de julho, o prazo para inscrições foi ainda ampliado até o dia 15 de julho. A organização do evento deu oportunidade a que se inscrevessem pesquisadores dos mais diferentes recortes sociais, raciais e de gênero. Alguns de nós já organizamos eventos da mesma natureza e magnitude, e nos deparamos (por vezes nos frustramos) com dificuldades para compor fóruns acadêmicos representativos em termos de raça, gênero e origem regional. 
   
A virulência de alguns ataques desferidos contra Vanicléia Santos, pesquisadora negra que,  como muitos de nós, vem construindo uma carreira acadêmica sólida, combatendo diariamente o racismo estrutural e cotidiano e o machismo, comprometida com a formação da nova geração de historiadores negros, especialistas em História da África é, no mínimo, um gesto de automutilação. Por todas essas razões, nós abaixo assinados manifestamos nosso firme apoio à professora Vanicléia Silva Santos, compreendendo que o problema em questão precisa ser discutido no interior da universidade pública, mas sem personalizá-lo.

Subscrevem.

  1. Carlos da Silva Jr. (Professor, Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS)
  2. Lucilene Reginaldo (Professora de História da África, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP)
  3. Wlamyra Albuquerque (Professora, Universidade Federal da Bahia - UFBA)
  4. Roquinaldo Ferreira (Professor, Universidade da Pensilvânia, EUA)
  5. Iacy Maia (Professora, Universidade Federal da Bahia - UFBA )
  6. Juliana Barreto Farias (Professora, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB)
  7. Josivaldo Pires de Oliveira (Professor, Universidade do Estado da Bahia - UNEB)
  8. Nielson Bezerra (Professor, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ)
  9. Tukufu Zuberi (Professor, Universidade da Pensilvânia, EUA)
  10. Luana Tolentino (Professora, Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP)
  11. Nilma Lino Gomes (Professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Integrante do Programa de Ações Afrimativas na UFMG)
  12. Patrícia Santana (Professora, Prefeitura de Belo Horizonte)
  13. Etiene Martins (Professora e editora Livraria Bantu)
  14. Rogéria Cristina da Silva (Professora, Universidade do Estado de Minas Gerais)
  15. Iara Pires Viana (Assessoria da Subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica; Militante da Educação das Relações Raciais e Pesquisadora do Feminismo Negro)
  16. Erisvaldo Pereira dos Santos (Professor e babalorixá, Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP)
  17. Cidinha da Silva (Escritora)
  18. Macaé Evaristo (Ex-secretária de Educação do Estado de Minas Gerais)
  19. Mara Catarina Evaristo (Professora da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte) 
  20. Vaniléia Santos Brito (Ministério Publico de Minas Gerais)
  21. Renata Felinto (Universidade Regional do Vale do Cariri, Pernambuco)
  22. Vanessa Raquel Lambert (professora, Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF)
  23. Renata Bittencourt (Diretora Executiva do Instituto Inhotim)
  24. Kassandra Muniz (Professora, Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP)
  25. Juvenal de Carvalho (Professor, Universidade Federal do Recôncavo Baiano - UFRB)
  26. Jackson André Ferreira (Professor, Universidade do Estado da Bahia - UNEB)
  27. Flávio dos Santos Gomes (Professor, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)
  28. Mônica Lima (Professora, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)
  29. Rosane Pires Viana (Gestora e Pesquisadora de Literatura Africana e Afrobrasileira, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG)
  30. Ana Lúcia Silva Souza (Professora, Universidade Federal da Bahia - UFBA)
  31. Itacir Cruz (Professor Adjunto de História/Instituto de Humanidades – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB, CE – Líder do Grupo BALAFON – História, cultura e ancestralidade africana)