Este blog constitui um veículo de informações e divulgação científica e cultural do Laboratório de Estudos Africanos e Espaço Atlântico (LEAFRO/UNEB), núcleo temático coordenado pelo Prof. Dr. Josivaldo Pires de Oliveira e como monitora de extensão Aline Fernandes Gama, no Departamento de Educação da UNEB/Campus XIII - Itaberaba
quinta-feira, 8 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
ANPUH Bahia - Povos indígenas, Africanidades e Diversidade Cultural
Segue a Relação dos Simpósios da ANPUH Bahia que estará recebendo inscrições para Comunicação Científica entre 12 de março à 13 de maio de 2012.
Simpósios Temáticos Aprovados pela comissão cientifica do evento | ||
Simpósio Temático | Proponente (s) | |
1 | História e Literatura | 1- Robson Dantas |
2 | Estudos sobre práticas culturais afro-brasileiras | 1- Joceneide Cunha 2- Luis Augusto P. Leal |
3 | Propriedade e usufruto da terra no Brasil colonial e imperial: atores, direitos e conflitos | 1- Ana Côgo 2- Marcelo Henrique Dias |
4 | Entre a democracia e a ditadura: conflitos, tensões e participação política no Brasil | 1- Grimaldo Carneiro Zachariadhes 2- Sílvio César Oliveira Benevides |
5 | Identidades, fronteiras e conflitos na Antiguidade e no Medievo: produção de conhecimento e ensino | 1- Rita de Cassia Pereira 2- Marcia Santos Lemos |
6 | Estado Nação e cidadania no Brasil dos séculos XIX e XX | 1- Dilton Araújo 2- Sergio Armando Guerra Filho |
7 | Dimensões do poder e da política no Brasil: séculos XIX e XX | 1- José Alves Dias 2- Argemiro Ribeiro de Souza Filho |
8 | Diversidades, desigualdades, conflito social e luta política | 1- Eurelino Coelho |
9 | História de festas e festejos | 1- Raphael Rodrigues Vieira Filho 2- Milton Araújo Moura |
10 | Quotidiano, memória e história de populações litorâneas e ribeirinhas do Brasil | 1- Wellington Castelucci 2- Cristiano Wellington Noberto Ramalho |
11 | Povos Tradicionais – História e cultura | 1- Hélio Sochodolak 2- Oseias de Oliveira |
12 | Trajetórias Esquerdas:Cultura, sociedade e cotidiano nas trajetórias de intelectuais de esquerda e suas organizações | 1- Ana Paula Palamartchuk 2- Rafael Oliveira Fontes |
13 | Professores de História: saberes e práticas do ensino de história | 1- Carlos Augusto Lima Ferreira 2- Tatiana Polliana Pinto de Lima |
14 | História, biografia e memória: interseções entre campo e cidade | 1- Raimundo Nonato Pereira Moreira 2- Maria das Graças de Andrade Leal |
15 | Os fluxos da metrópole e o desejo coletivo | 1- Francisco Antônio Zorzo 2- Rafael Rodas Veras F. |
16 | Catolicismo, repressão e diversidade cultural na América portuguesa | 1- Suzana Severs 2- Marcos Silva |
17 | Memória, autoritarismo e democracia | 1- Célia Costa Cardoso 2- Lucileide Costa Cardoso |
18 | Territorialidade e suas relações etnoculturais | 1- Natanael R. Bomfim 2- Djaneide Argolo |
19 | África Centro-Ocidental e o Currículo Multiculturalista | 1- Aldieris Braz Amorim Caprini 2- Maria do Carmo Russo de Oliveira |
20 | Culturas, memórias e representações: os diferentes sujeitos e fazeres da história | 1- Carlos Alberto de Oliveira 2- Carlos José Ferreira |
21 | História da África: perspectivas de ensino, estudo e pesquisa | 1- Wilson Roberto Mattos 2- Denilson Lessa |
22 | Religião, política e movimentos sociais na América Latina | 1- Iraneidson Santos Costa 2- Marcos Roberto Brito dos Santos |
23 | Faces da tradição afro-baiana: os lugares da (re)invenção e do sincretismo no candomblé do sul da Bahia | 1- Valéria Amim |
24 | História Indígena: Produção do conhecimento e ensino | 1- Maria Hilda B. Paraíso 2- Teresinha Marcis |
25 | Fontes e caminhos da História da educação Baiana: acervos arquivísticos, periódicos e memorialistas | 1- Ione Celeste Jesus Souza 2- José Carlos Araujo Silva |
26 | Fontes para a História na Bahia | 1- Lina Aras 2- Celeste Maria Pacheco |
27 | História do Atlântico e da Diáspora Africana | 1- Flávio Gonçalves dos Santos 2- Luiza Nascimento dos Reis |
28 | História da assistência à saúde no Brasil: diversidade de práticas e saberes | 1- Cleide de Lima Chaves 2- Christiane Maria Cruz de Souza |
29 | As relações de gênero e a produção de novos conhecimentos no saber histórico | 1- Andréa da Rocha Rodrigues 2- Márcia Maria da Silva Barreiros |
30 | História do esporte e das práticas corporais | 1- Coriolano Pereira da Rocha Júnior |
31 | Sons, imagens e cenas: História, cultura e linguagens nas relações de produção, circulação e recepção de sujeitos | 1- Gilmário Moreira Brito 2- Izabel de Fátima Melo |
32 | Crescimento econômico com desenvolvimento social? História e relações Internacionais da América Latina e da África (séculos XX e XXI) | 1- Antônio Carlos da Silva |
33 | Família e História: desafios e perspectivas interdisciplinares docentes para uma historiografia contemporânea | 1- Vanessa Ribeiro Simon Cavalcanti 2- Bárbara Maria Santos Caldeira |
34 | África, suas Histórias e a Tradição Oral Afro brasileira | 1- Carmélia Aparecida Silva Miranda 2- Juvenal Carvalho |
sexta-feira, 2 de março de 2012
A carnavalização na obra de Jorge Amado
Por Gildeci Leite, professor da UNEB
Quem quiser pensar que o livro O País do Carnaval, de Jorge Amado, é uma exaltação à festa, pode até pensar, mas é preciso falar sobre o equívoco deste pensamento. Guardadas as diversas possibilidades de outras classificações da obra amadiana (um dia concluirei a minha proposta), lembro da divisão feita pelo antropólogo Roberto DaMatta.
Ele fala de duas fases. A primeira fase maniqueísta, pautada nos caminhos designados pelo Partido Comunista (PC) como única solução para todos os problemas sociais. Já a segunda fase, carnavalizadora, entende que para as questões da vida cotidiana e dos problemas sociais há mais de um caminho, mais de uma solução e às vezes a escolha pode ser a não escolha ou a escolha dos dois ao mesmo tempo, vide Dona Florípedes e seus dois consortes. DaMatta diz que a segunda fase começa em 1956 com a saída do escritor grapiúna do PC. Outras obras com passagens carnavalizadoras foram escritas antes, o que não é o exemplo de O País do Carnaval.
Dito isso tudo, preciso ainda lembrar que O País do Carnaval é um livro da primeira fase, mais precisamente de 1931. Nesse seu primeiro romance, o carnaval seria a própria barbárie e não condiziria com a proposta de construção de um país moderno.
Portanto quem quiser homenagear Jorge Amado neste carnaval referindo-se ao seu primeiro livro, sugiro que leia as obras verdadeiramente carnavalizadoras. Essas armadilhas são típicas de Amado, isso pode ser lido como uma forma de condenar a integralização da leitura após a batida de olhos no título da obra ou na orelha do livro. A orelha é irmã do ouvido, contudo não nos diz tudo que ouviu do irmão.
O mesmo também pode acontecer com o romance Jubiabá, pois o personagem principal não leva este nome e muitas vezes este equívoco é propalado. Balduíno, personagem principal do citado livro, é o primeiro protagonista negro que se tem notícia na literatura brasileira, mas isso é assunto para outro texto.
Afirmar que em Amado há duas fases é, neste caso, também dizer que ele mudou de opinião e de postura. A altivez da mudança de posicionamento está no fato de assumir o que um dia foi e dizer o que será dali por diante. Com a postura carnavalesca, Amado destruiu a ilusão stalinista que um dia teve. Ele disse que Stalin foi seu pai e sua mãe, de Zélia também. Deixou tudo isso para trás quando descobriu que Stalin era um ditador.
Então onde estariam os carnavais amadianos? Estão em todas as obras que discursam em favor da pluralidade e das múltiplas faces de nossa cultura. Estão em todas as construções dos personagens que possuem múltiplas identidades como todos nós.
Amado já apontava para a existência do ser plural: ao mesmo tempo pai e homem que vive a vida; ao mesmo tempo mãe e mulher que se completa sem o complexo de Virgem Maria e tantos outros papéis que somos e que vivemos. Contudo, talvez o nosso complexo de “vira-latas” nos impediu de ver o que sempre esteve ao alcance de nossos olhos: a formulação de teorias da crítica da cultura, hoje aceitas por nós, pois ditas por autores estrangeiros. Isso não nos leva a uma declaração de xenofobia (aversão ao que é estrangeiro), apenas a uma constatação de uma provável xenofilia (aversão ao que é nacional) praticada por muitos de nós. Xenofobia e xenofilia não combinam com Amado.
Neste Carnaval quando virem a alegria passar agarrarem-na, as obras de Amado estão ali. Quando tiverem êxtase com o Olodum, Filhos de Gandhi, Bankoma, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Malê Debalê e outros blocos afro, lembrem-se que a luta para o desfile dos motivos africanos e afro-brasileiros foi protagonizada em Tenda dos Milagres com o bloco ficcional Filhos da Bahia. Você poderá encontrar um Vadinho, marido de Dona Flor, com saia e uma raiz de mandioca nas Muriquiranas, por exemplo.
Verá muitas homenagens em cima e atrás dos trios. Mas com certeza será na pipoca que encontrará diversas representações amadianas, carnavalizando o mundo com a alegria de viver, com a negra concepção aió, concepção alegre de viver.
Fonte: www.uneb.br
Assinar:
Comentários (Atom)

